segunda-feira, novembro 22, 2010

Avô Luis

Hoje vieram-me á memória recordações de meu Avô Luis. Homem pequeno, cabelo ralo mas sempre penteado para trás com o brilcream que punha todas as manhãs com a ajuda de uma escova, isto após escanhoar a barba com a gilette que religiosamente guardava no estojo de cabedal vermelho.

Depois de barbeado, penteado e lavado, vestia a sua camisa sempre branca, punha o seu fato e gravata e assim andava durante o dia todo. Quando saía à rua, de manhã por qualquer motivo ou depois de almoço para o part time na Casa da Madeira, o chapéu na cabeça era um acessório indispensável, bem como o lenço meticulasamente dobrado em triagulosinhos que sobressaiam do bolso exterior da lapela do fato.

Quando no inverno chegava a casa ao fim do dia, despia o casaco e vestia um roupão de lã grossa, igual ao que ainda hoje tenho em uso e se o frio apertava, punha na cabeça um barrete de lã da Madeira, daqueles com orelhas ( a casa era enorme e aquecê-la nos dias frios de inverno era impensável ).

Já nos seus últimos dias, guardo-lhe a imagem de um velhinho, meio curvado, de pijama de flanela, roupão vestido e barrete na cabeça a caminhar devagarinho naquele corredor enorme...

Comigo caminham, todos os mortos que amei em vida...

5 Comments:

Blogger Alex said...

Acho que também já consigo dizer isso a mim mesma

24 novembro, 2010 12:21  
Anonymous Anónimo said...

há pessoas que nos acompanham sempre...

beijos Paulo

27 novembro, 2010 20:53  
Blogger Isa Maria said...

um sentimento que a idade nos oferece...

29 novembro, 2010 10:48  
Anonymous Anónimo said...

Vim aqui deixar-te mais um beijo.
Tu sabes porquê.

02 dezembro, 2010 22:32  
Blogger Luna said...

as pessoas que amamos vão sempre viver no nosso coração, ainda que tivessem partido continuam vivas.
Bjs

04 dezembro, 2010 21:18  

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