O meu Alentejo

Sempre tive um fascínio pelo Alentejo, pelas planicies a perder de vista, pelas casas brancas de cal, pela gente afável e calma. Uma ida ao Alentejo funciona como uma terapia de limpeza interior, uma acalmia do rebuliço citadino. Lá, tudo anda devagar, toda a gente se cumprimenta "...bom dia ..." ...boa tarde ...".
O relógio deixa de ter sentido, passamos a regular-nos pelas horas do Estio. No calor, refugiamo-nos em casa, ou mais modernamente no café com ar condicionado, onde em amena cavaqueira não se dá pelas horas passarem, pelo meio, um fechar de olhos embalados pelo som da conversa alheia.
A vila, nessas horas parece fantasma, apenas aqui e acolá, outsiders do lugar, teimam em passear à torreira do sol. Até que, já ao fim da tarde, começa o movimento dos locais, grupos juntam-se no jardim, ou nas esplanadas dos poucos cafés existentes, gozando a brisa que por vezes teima ainda em ser quente. À volta de um petisco, acompanhado de uma mini ou de um jarro de tinto, o tempo passa lentamente até que há hora da janta, todos se recolhem e a vila fica novamente fantasma.
Este fim de semana que passou tive o raro previlégio de estar em Cabeço de Vide, apesar do calor que se sentia, adorei todos os momentos, foi como que uma pausa nas rotinas diárias, estive com gente boa, com eles acompanhei os seus rituais, conversei e por 2 dias senti o prazer de ter uma vida calma.


5 Comments:
olá Paulo :)
Fico muito feliz que tenhas tido assim um fim de semana. Li-te e através das tuas palavras senti o relaxamento maravilhoso de umas férias ou neste caso de um fim de semana tranquilinho... que saudades do sossego...
beijinhos
GMT
Alentejo quente e calmo. A foto transmite isso mesmo, em especial a serenidade. Gosto disso.
Por vezes só saindo do nosso habitat natural conseguimos encontrar harmonia dentro de nós
Bj
Tens razão, o relógio não faz falta nenhuma!
Eu gostava de ir um dia, deixar Lisboa para trás, há dias em que se torna difícil respirar aqui dentro (na cidade).
Também adoro o Alentejo.
Apesar de ir lá com demasiada frequência e sempre a namorar o relógio (vou em trabalho), não me canso de saborear as paisagens. E os tais "bons dias", que se oferecem a quem por nós passa :-)
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