domingo, agosto 30, 2009

A Bina foi-se

A Bina morreu ! Com ela, foi-se a ultima pessoa da minha familia, foram-se as ligações á minha infância ( conhecia-a uma tarde de sábado, no jardim do Campo Pequeno,num dos fins de semana que passei com o Pai, tinha 6 anos, vestia eu uns calções brancos de linho e estava uma tarde cinzenta... Esta Senhora é a Bina, disse meu Pai, e eu meio envergonhado, dei-lhe um beijinho meio timido...) Desde essa data até ontem, aceitei-a como a Muher do Pai. Foram 40 e tal anos de convivio, férias, almoços, passeios, conversas, confidências...

Anos mais tarde, oficializou a condição de madrasta, mas sempre me tratou como o filho que nunca teve. Aturava-me nas férias de Verão, nos fins de semana em casa deles, naquele passeio a Espanha onde apanhei uma alergia que me cobriu o corpo todo de bolhinhas ( tinha aí uns 12 anos ), fez-me festas de anos e mais tarde, tratou os meus filhos como se netos dela fossem.

Com a morte do Pai em 2000, ficou sózinha. Durante 3 meses, fui lá todos os dias fazer-lhe uma visita à noite, depois passei ás visitas semanais e aos telefonemas diários que se mantiveram até hoje.

Foi por essa altura que lhe foi diagnosticada a doença que lentamente a foi minando por dentro, lhe foi roubando as forças e a atirou já este ano primeiro para um internamento de 15 dias no Egas Moniz e passado 2 meses para um novo internamento do qual não resistiu....

Acompanhei-a diáriamente em ambos os internamentos, excepto nesta ultima semana, apercebi-me da sua degradação fisica, custou-me em especial neste ultimo, onde era mais visivel o seu estado debilitado, mas apesar de tudo esteve sempre consciente, reconhecia-me quando lhe apertava a mão, quando lhe fazia uma festa no rosto, abria os olhos e queria falar, mas as forças faltavam-lhe e a mascara dificultava.

Morreu na madrugada de 5ª para 6ª feira, foi cremada hoje, num caixão fechado conforme seu desejo ( não quero que me vejam morta, devem-me recordar como eu era e não depois de morta ! dizia ela ).

Está mais uma estrelinha a brilhar no Céu, e a mim deixou-me um vazio maior cá dentro...


PS: desculpa-me T, mas estou sem jeito para o selo...

7 Comments:

Blogger Titá said...

Oh Meu Querido Amigo, que interessa o selo? Se ao menos ele tapasse a dor no teu peito...
Sinto muito Paulo.
Fui ao longo dos anos percebendo o carinho enorme e o respeito que tens por esta Senhora. sei bem o quanto estás a sofrer e não sei o que fazer, dizer para te ajudar. Se eu conseguisse dividir contigo, sofrer um pouco por ti...
Há mais uma estrela a brilhar no céu, mas no teu peito não pode haver um vazio, mas sim, muita recordação, muito amor, muito sorriso e a paz de quem como tu soube sempre dar o seu melhor a quem, como A Bina soube merecer, receber e retribuir.
Agarra-te a isso. Enche o teu peito com esse amor.
Força meu Amigo...eu estou aqui...sempre
Um abraço apertadinho

30 agosto, 2009 23:56  
Blogger Alex said...

Paulo ... um abraço tão apertado quanto eu consiga. Sinto muito Amigo, agarra-te a todas as boas recordações que tens,
eu sei que dói,
e tem de doer ... ninguém pode aliviar para já essa dor.
Estou aqui também, Conta comigo
e força.

31 agosto, 2009 21:57  
Blogger Arábica said...

Há coisas assim, ontem estava a limpar a banca da cozinha e de repente lembrei-me de ti, estranhando a ausência pensei, será a...agora já sei o nome...reconstruo, reformulo a pergunta...será a Bia? Estará pior? Porque da última vez que falamos, tinhas-me falado da fragilidade do seu estado.

Foi a Bia.

No céu existe mais uma estrela de alguém que te quis bem e a quem quises-te bem.

Somos assim, matéria perecível com um céu de memórias. Abraço-te, amigo.

01 setembro, 2009 12:01  
Blogger Laura Ferreira said...

Entendo-te... o importante é que a estrela está lá em cima.
Isso sim, é o mais importante.

03 setembro, 2009 10:26  
Anonymous Anónimo said...

Paulo, nestas alturas pouco há a acrescentar... apenas que sei do que falas, que sei dessa dor, que doi muito... sei do vazio que fica e que estou aqui a dar-te o meu abraço.

Sim. Gostei da Estrelinha a Brilhar no Céu, nunca tinha pensado dessa forma, é uma metafora muito bonita.

Um grande beijinho e um xi.

07 setembro, 2009 21:36  
Blogger alecerosana said...

Os que amamos não morrem, ficam retidos nas memórias que nos deixam.

Beijinhos,

08 setembro, 2009 23:29  
Anonymous Anónimo said...

Olá Paulo vim deixar-re uma beijoka.
bom fim de semana

18 setembro, 2009 22:43  

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