A Viagem
De regresso a casa, depois de sentado no comboio pus-me a observar quem me rodeava...
Gente anónima, rostos sombrios, rugas marcadas, uns dormiam, outros liam, outros brincavam com o telemovel, mas em todos eles, o mesmo rosto cansado.
Foquei-me, entretanto, na Senhora que se sentou á minha frente ( para quem não sabe, o comboio da Fertagus, vulgo, comboio da Ponte, tem bancos frente a frente ). Aí pela casa dos 40/50 anos, algo forte, estatura mediana. Rosto algo vermelho, no anelar da mão esquerda, uma aliança de ouro e outra de prata ( 25 anos de casada, ou simples pechibeque decorativo ? ), cabelo pintado, naquela cor indefinida parecida com o bordeaux, mas a precisar de repintura....ao pescoço, um fio de ouro (?) em malha martelada, com algo na ponta, que não consegui ver porque se escondia entre os seios, outrora generosos mas agora comprimidos, quiçá num daqueles soutiens vendidos por meia duzia de euros na loja do chinês...no braço, um saco de plastico com várias coisas donde sobressaiam um molho de espinafres, talvez comprados de manhã, na mercearia perto do emprego e que se debruçavam, algo murchos para fora do saco.
Depois de sentada, e do saco pousado, tirou da carteira um par de oculos, que, por sinal tinham as lentes algo sujas e de dentro do dito saco de plastico, tirou outro com uma peça em pano cru e á volta da qual estava a fazer uma bordadura em croché.
ainda mal chegados á estação de Campolide, começou maquinalmente a trabalhar com a agulha acrescentando ponto a ponto a bordadura do pano. De vez em quando, levantava a cabeça, um rosto inexpressivo.
Passada a ponte, e saído o tunel, eis que a dita Senhora, numa agilidade antes não revelada arruma tudo no saco e levanta-se para sair.
Pensei cá para comigo, "...já acabaste o teu entretém, vais agora para casa, fazer o jantar, ver a novela e talvez dar uma arrumadela nas coisas, para amanhã voltares á mesma rotina..."
Gente anónima, rostos sombrios, mas Gente deste País , Gente que luta diariamente para combater quiçá um desencantamento cada vez maior....
Gente anónima, rostos sombrios, rugas marcadas, uns dormiam, outros liam, outros brincavam com o telemovel, mas em todos eles, o mesmo rosto cansado.
Foquei-me, entretanto, na Senhora que se sentou á minha frente ( para quem não sabe, o comboio da Fertagus, vulgo, comboio da Ponte, tem bancos frente a frente ). Aí pela casa dos 40/50 anos, algo forte, estatura mediana. Rosto algo vermelho, no anelar da mão esquerda, uma aliança de ouro e outra de prata ( 25 anos de casada, ou simples pechibeque decorativo ? ), cabelo pintado, naquela cor indefinida parecida com o bordeaux, mas a precisar de repintura....ao pescoço, um fio de ouro (?) em malha martelada, com algo na ponta, que não consegui ver porque se escondia entre os seios, outrora generosos mas agora comprimidos, quiçá num daqueles soutiens vendidos por meia duzia de euros na loja do chinês...no braço, um saco de plastico com várias coisas donde sobressaiam um molho de espinafres, talvez comprados de manhã, na mercearia perto do emprego e que se debruçavam, algo murchos para fora do saco.
Depois de sentada, e do saco pousado, tirou da carteira um par de oculos, que, por sinal tinham as lentes algo sujas e de dentro do dito saco de plastico, tirou outro com uma peça em pano cru e á volta da qual estava a fazer uma bordadura em croché.
ainda mal chegados á estação de Campolide, começou maquinalmente a trabalhar com a agulha acrescentando ponto a ponto a bordadura do pano. De vez em quando, levantava a cabeça, um rosto inexpressivo.
Passada a ponte, e saído o tunel, eis que a dita Senhora, numa agilidade antes não revelada arruma tudo no saco e levanta-se para sair.
Pensei cá para comigo, "...já acabaste o teu entretém, vais agora para casa, fazer o jantar, ver a novela e talvez dar uma arrumadela nas coisas, para amanhã voltares á mesma rotina..."
Gente anónima, rostos sombrios, mas Gente deste País , Gente que luta diariamente para combater quiçá um desencantamento cada vez maior....


3 Comments:
Olá!
Já voltei da festa :)))
Ao ler este post fez-me pensar o quanto sou feliz em viver aqui no meu Alentejo!
Quando por aí passo vejo sempre esta tristeza no rosto das pessoas...
Bom fim de semana
Faz-me lembrar todas as minhas viagens...tristes e solitarias..
beijo da ci
sempre assim as viagens ...
mas de comboio melhoram um pouco, fica-se a pensar, eu pelo menos penso, e o nosso olhar... o meu fica espantado. com tanto desencanto...
gostei de te ler Paulo... como sempre!
Beijo em Ti.
Enviar um comentário
<< Home