Desafio e homenagem
Desafio
Fui desafiado pela Bia a divulgar os ultimos 5 livros que tinha lido. Reconheço que ultimamente tenho lido pouco, mas aqui vão os titulos dos ultimos 5 :
- Mia Couto , Cronicando
- Mia Couto , Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra
- Margarida Rebelo Pinto, Pessoas como nós
- Moita Flores, O carteirista que fugiu a tempo
- Moita Flores, Em memória de Albertina que Deus haja !
Não foram lidos necessáriamente por esta ordem, nem me perguntem há quanto tempo os li...
Queria também partilhar com vocês, um texto que recebi por email e que achei lindo
As Mulheres da minha geração
Hoje têm quarenta e muitos anos, inclusive cinquenta e tal, são belas, muito belas, porém também serenas, compreensivas, sensatas e sobretudo diabòlicamente sedutoras, isto, apesar dos seus incipientes pés-de-galinha ou desta afetuosa celulite que capitoneiam as suas coxas, mas que as fazem tão humanas, tão reais. Formosamente reais.
Quase todas, hoje, estão casadas ou divorciadas, ou divorciadas e casadas, com a intenção de não se equivocar no segundo intento, que às vezes é um modo de acercar-se do terceiro e do quarto intento. Que importa? Outras, ainda que poucas, mantêm um pertinaz celibatarismo, protegendo-o como uma fortaleza sitiada que, de qualquer modo, de vez em quando abre as suas portas a algum visitante.
Que belas são, por Deus, as mulheres da minha geração!
Nascidas sob a era de Aquário, com influência da música dos Beatles, de Bob Dylan, de Lou Reed, do melhor cinema de Kubrick e do início do boom latino-americano, são seres excepcionais. Herdeiras da revolução sexual da década de 60 e das correntes feministas, elas souberam combinar liberdade com coqueteria, emancipação com paixão, reivindicação com sedução. Jamais viram no homem um inimigo, apesar de lhe cantarem algumas verdades, pois compreenderam que a sua emancipação era algo mais do que pôr o homem a lavar a louça ou a trocar o rolo do papel higiênico quando este tràgicamente se acaba.
São maravilhosas e têm estilo, mesmo quando nos fazem sofrer, quando nos enganam ou nos deixam.
Usaram saias indianas aos 18 anos, enfeitaram-se com colares andinos, cobriram-se com suéteres de lã e perderam a sua parecença com Maria, a Virgem, numa noite de sexta-feira ou de sábado, depois de dançar El Raton com algum amigo que lhes falou de Kafka, de Neruda e do cinema de Bergman.
No fundo das suas mochilas traziam pacotes de rouge, livros de Simone de Beauvoir e fitas de Victor Jara, e, ao deixar-nos, quando não havia mais remédio senão deixar-nos, dedicavam-nos aquela canção, que é ao mesmo tempo um clássico do jornalismo e do despeito, que se chama "Teu amor é um jornal de ontem".
Falaram com paixão de política e quiseram mudar o mundo, beberam rum cubano e aprenderam de cor as canções de Sílvio Rodriguez e de Pablo Milanez, conhecerem os sítios arqueológicos, foram com seus namorados às praias, dormindo em barracas e deixando-se picar pelos mosquitos, porque adoravam a liberdade e, sobretudo, juraram amar-nos por toda a vida, algo que sem dúvida fizeram e que hoje continuam a fazer na sua formosa e sedutora madureza.
Souberam ser, apesar de sua beleza, rainhas bem educadas, pouco caprichosas ou egoístas. Deusas com sangue humano. O tipo de mulher que, quando lhe abrem a porta do carro para que suba, se inclina sobre o assento e, por sua vez, abre a do seu companheiro por dentro.
A que recebe um amigo que sofre às quatro da manhã, ainda que seja seu ex-noivo, porque são maravilhosas e têm estilo, ainda que nos façam sofrer, quando nos enganam, ou nos deixam, pois o seu sangue não é suficientemente gelado para não nos escutar nessa salvadora e última noite, na qual estão dispostas a servir-nos o oitavo uísque e a colocar, pela sexta vez, aquela melodia de Santana.
Por isso, para os que nascemos entre as décadas de 40 e 60, o dia da mulher é, na verdade, todos os dias do ano, cada um dos dias com suas noites e seus amanheceres, que são mais belos, como diz o bolero, quando está você.
Que belas são, por Deus, as mulheres da minha geração!
(Santiago Gambôa, escritor Colombiano)
Fui desafiado pela Bia a divulgar os ultimos 5 livros que tinha lido. Reconheço que ultimamente tenho lido pouco, mas aqui vão os titulos dos ultimos 5 :
- Mia Couto , Cronicando
- Mia Couto , Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra
- Margarida Rebelo Pinto, Pessoas como nós
- Moita Flores, O carteirista que fugiu a tempo
- Moita Flores, Em memória de Albertina que Deus haja !
Não foram lidos necessáriamente por esta ordem, nem me perguntem há quanto tempo os li...
Queria também partilhar com vocês, um texto que recebi por email e que achei lindo
As Mulheres da minha geração
Hoje têm quarenta e muitos anos, inclusive cinquenta e tal, são belas, muito belas, porém também serenas, compreensivas, sensatas e sobretudo diabòlicamente sedutoras, isto, apesar dos seus incipientes pés-de-galinha ou desta afetuosa celulite que capitoneiam as suas coxas, mas que as fazem tão humanas, tão reais. Formosamente reais.
Quase todas, hoje, estão casadas ou divorciadas, ou divorciadas e casadas, com a intenção de não se equivocar no segundo intento, que às vezes é um modo de acercar-se do terceiro e do quarto intento. Que importa? Outras, ainda que poucas, mantêm um pertinaz celibatarismo, protegendo-o como uma fortaleza sitiada que, de qualquer modo, de vez em quando abre as suas portas a algum visitante.
Que belas são, por Deus, as mulheres da minha geração!
Nascidas sob a era de Aquário, com influência da música dos Beatles, de Bob Dylan, de Lou Reed, do melhor cinema de Kubrick e do início do boom latino-americano, são seres excepcionais. Herdeiras da revolução sexual da década de 60 e das correntes feministas, elas souberam combinar liberdade com coqueteria, emancipação com paixão, reivindicação com sedução. Jamais viram no homem um inimigo, apesar de lhe cantarem algumas verdades, pois compreenderam que a sua emancipação era algo mais do que pôr o homem a lavar a louça ou a trocar o rolo do papel higiênico quando este tràgicamente se acaba.
São maravilhosas e têm estilo, mesmo quando nos fazem sofrer, quando nos enganam ou nos deixam.
Usaram saias indianas aos 18 anos, enfeitaram-se com colares andinos, cobriram-se com suéteres de lã e perderam a sua parecença com Maria, a Virgem, numa noite de sexta-feira ou de sábado, depois de dançar El Raton com algum amigo que lhes falou de Kafka, de Neruda e do cinema de Bergman.
No fundo das suas mochilas traziam pacotes de rouge, livros de Simone de Beauvoir e fitas de Victor Jara, e, ao deixar-nos, quando não havia mais remédio senão deixar-nos, dedicavam-nos aquela canção, que é ao mesmo tempo um clássico do jornalismo e do despeito, que se chama "Teu amor é um jornal de ontem".
Falaram com paixão de política e quiseram mudar o mundo, beberam rum cubano e aprenderam de cor as canções de Sílvio Rodriguez e de Pablo Milanez, conhecerem os sítios arqueológicos, foram com seus namorados às praias, dormindo em barracas e deixando-se picar pelos mosquitos, porque adoravam a liberdade e, sobretudo, juraram amar-nos por toda a vida, algo que sem dúvida fizeram e que hoje continuam a fazer na sua formosa e sedutora madureza.
Souberam ser, apesar de sua beleza, rainhas bem educadas, pouco caprichosas ou egoístas. Deusas com sangue humano. O tipo de mulher que, quando lhe abrem a porta do carro para que suba, se inclina sobre o assento e, por sua vez, abre a do seu companheiro por dentro.
A que recebe um amigo que sofre às quatro da manhã, ainda que seja seu ex-noivo, porque são maravilhosas e têm estilo, ainda que nos façam sofrer, quando nos enganam, ou nos deixam, pois o seu sangue não é suficientemente gelado para não nos escutar nessa salvadora e última noite, na qual estão dispostas a servir-nos o oitavo uísque e a colocar, pela sexta vez, aquela melodia de Santana.
Por isso, para os que nascemos entre as décadas de 40 e 60, o dia da mulher é, na verdade, todos os dias do ano, cada um dos dias com suas noites e seus amanheceres, que são mais belos, como diz o bolero, quando está você.
Que belas são, por Deus, as mulheres da minha geração!
(Santiago Gambôa, escritor Colombiano)


9 Comments:
Ora eu que sou da geração de 60 e nem sempre me sinto assim tão isto tudo que aqui é dito, concordo de qualquer das formas com o conteúdo na sua essência. Crescemos num tempo de descoberta. Daí a força com que nos vimos obrigadas a encarar a vida da forma que a queremos. Sempre em frente!!! É o lema que interiorizámos talvez que só por necessidade, não por mérito. Mas certo é que nos construímos dentro dos parâmetros dos sonhos que ainda não desistimos de sonhar, apesar de todos os cansaços...
Depois dos casamentos e dos divórcios, se acontece conseguirmos o lado certo de nós para partilhar o resto da vida, é o limite do que ousamos esperar. Não todas nós, claro. Mas há casos felizes em que assim acontece. O meu...
Bom fim de semana
ah... e continuamos a ver Kubrick, a ouvir Bob Dylan e Lou Reed... continua a acompanhar-nos Neruda, Kafka... continuamos a sonhar...
Respondi ao mesmo desafio hoje! LOLOL
beijinho =^.^=
Olá! Fico feliz por teres aceite o meu desafio... grandes livros...
Agora o mail que recebeste faz todo o sentido e deixou-me sem palavras...
e há várias vantagens numa Mulher da tua geração, ela não vai ficar chateada, nem te consumir os neurónios porque estás a ver um jogo de futebol, ela vai se divertir fazendo uma outra coisa qualquer e respeitar o teu espaço...
beijinho gostei mesmo muito de te ler
Sim são da nossa geração, todas as que se lembram das mesmas coisas das mesmas realidades temporais, aquelas que só vividas é que têm significado. Também nós, homens da mesma geração as compreendemos melhor embora às vezes não o queiramos reconheçer.
Um abraço primo e boa semana!
Bons livros que andas a ler.
Este e-mail de que falas está excepcional. Mexeu comigo. Gostei
Beijos primo
gostei muito
jocas maradas
Olá. Não quero contrariar, mas as mulheres da minha geração não são idênticas às descritas e que leio neste texto. Talvez o meu meio fosse diferente, nós eramos mais inocentes (e mais ignorantes também). Eramos mais Adamo's, Beatles, Clife e Shadows, Otis, Percy's, Pink's, Stones, etc... Leituras só as indicadas pelo Pai... O Crime do Padre Amaro estava-me interditado =))) Gostei do blog. Hei-de voltar.
Geração «rasca»..? Não..!!!
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