A casa da Madeira
Das memórias da infância, recordo-me com especial carinho as tardes passadas com o meu avô ( 2º Avô, já que o 1º morreu na Madeira, era eu bébé ) na Casa da Madeira, que na altura, penso que ainda hoje, ( não sei, há vários anos que não passo por lá ), estava situada no palácio do Marques de Pombal, na Rua do Século, paredes meias com o edificio do extinto jornal " O Século ", donde me recordo, o corropio dos ardinas, para ir buscar os jornais. Mas dizia eu, o meu avô, era como que encarregado da secretaria da casa da Madeira, e nessa qualidade, todos os dias de tarde, perto das duas horas, saía de casa ( na R.Braamcamp ), e ia apanhar o electrico 20 ( que vinha de Gomes Freire com destino ao Cais do Sodré ) , apeando-se no Principe Real, descendo depois, a pé, a rua do Século.
Ora, certos dias, eu acompanhava-o. Para mim era uma festa, quer a viagem de electrico, quer a chegada e tempo passados no palácio. O palácio, entrando-se pela porta principal, e ultrapassado o guarda vento, tinhamos do lado esq. a bilheteira ( usada aquando da realização dos bailes, especialmente no carnaval e fim de ano ) e o bengaleiro e do lado Dt, a secretaria ( local onde o Avô se encafuava...), em frente, aparecia-nos uma escadaria monumental, degraus de pedra largos ( talvez 3 m ), baixos, e forrados com uma passadeira vermelha, vincada no espelho do degrau com uns tubinhos de latão amarelo que a D.Ana ( habitante permanente do palácio e funcionária da casa da Madeira ) se encarregava de manter brilhantes. Eu delirava quando para lá ia, aqueles salões enormes, a capela, o bar ( com bancos de pé alto ), a mesa de bilhar ( que eu ia, mais que uma vez, furando o pano, hehe ) e o desafinado piano, que eu martelava furiosamente....mas o que eu gostava mesmo, era de ir para o sotão ( infelizmente quase sempre fechado à chave ), onde descobria, mil e uma coisas, desde moveis antigos a restos de mascaras e decorações das festas anteriores e onde, nos meus 5/6 anos, fantasiava e imaginava-me guerreiro, heroi, etc.
Recordo-me de uma festa de fim de ano, o palácio cheio de gente, a musica do conjunto a tocar, mas o que me ficou gravado, foi que, no salão maior, quando as pessoas estavam a dançar ( mais concretamente a pular, naqueles comboios de pessoas ), o chão do salão, subia e descia conforme os pulos. Confesso que aquilo me assustou um bocado.....
dessas tardes magnificas, por volta das 4 da tarde, saía-mos, e iamos à calçada do Combro, à pastelaria Orion, lanchar, que para mim era quase sempre um galão e um queque ( ainda guardo na memória o sabor dos ditos queques ), no caminho passávamos pelo " bananeiro " ( lojinha na calçada do Combro, que tinha bananas da Madeira e onde o Avô por vezes comprava algumas ) e que eu achava graça ao proprietario, pelo sotaque tipico daquela ilha.
Findo o lanche, retornávamos ao palácio, onde permaneciamos até cerca das 18 h, altura em que empreendiamos o caminho de volta ( custava tanto subir aquela rua do Século... ), apanhado o electrico, iamos para casa.
Ora, certos dias, eu acompanhava-o. Para mim era uma festa, quer a viagem de electrico, quer a chegada e tempo passados no palácio. O palácio, entrando-se pela porta principal, e ultrapassado o guarda vento, tinhamos do lado esq. a bilheteira ( usada aquando da realização dos bailes, especialmente no carnaval e fim de ano ) e o bengaleiro e do lado Dt, a secretaria ( local onde o Avô se encafuava...), em frente, aparecia-nos uma escadaria monumental, degraus de pedra largos ( talvez 3 m ), baixos, e forrados com uma passadeira vermelha, vincada no espelho do degrau com uns tubinhos de latão amarelo que a D.Ana ( habitante permanente do palácio e funcionária da casa da Madeira ) se encarregava de manter brilhantes. Eu delirava quando para lá ia, aqueles salões enormes, a capela, o bar ( com bancos de pé alto ), a mesa de bilhar ( que eu ia, mais que uma vez, furando o pano, hehe ) e o desafinado piano, que eu martelava furiosamente....mas o que eu gostava mesmo, era de ir para o sotão ( infelizmente quase sempre fechado à chave ), onde descobria, mil e uma coisas, desde moveis antigos a restos de mascaras e decorações das festas anteriores e onde, nos meus 5/6 anos, fantasiava e imaginava-me guerreiro, heroi, etc.
Recordo-me de uma festa de fim de ano, o palácio cheio de gente, a musica do conjunto a tocar, mas o que me ficou gravado, foi que, no salão maior, quando as pessoas estavam a dançar ( mais concretamente a pular, naqueles comboios de pessoas ), o chão do salão, subia e descia conforme os pulos. Confesso que aquilo me assustou um bocado.....
dessas tardes magnificas, por volta das 4 da tarde, saía-mos, e iamos à calçada do Combro, à pastelaria Orion, lanchar, que para mim era quase sempre um galão e um queque ( ainda guardo na memória o sabor dos ditos queques ), no caminho passávamos pelo " bananeiro " ( lojinha na calçada do Combro, que tinha bananas da Madeira e onde o Avô por vezes comprava algumas ) e que eu achava graça ao proprietario, pelo sotaque tipico daquela ilha.
Findo o lanche, retornávamos ao palácio, onde permaneciamos até cerca das 18 h, altura em que empreendiamos o caminho de volta ( custava tanto subir aquela rua do Século... ), apanhado o electrico, iamos para casa.


4 Comments:
oh Paulo eu bem me parecia que tu eras um puto queque :)
e guloso! :)
agora já sei que foi na orion que te viciaste :)
Com que então teve um sotão recheado de coisas boas na sua infancia!
sortudo!
eu tinha o cimo da dispensa dos meus pais...esperava ansiosa a ida da minha mãe ao mercado (numa correria dela para me não deixar sozinha em casa muito tempo)e lá ia eu....punha um banco, esticava-me toda e com os braços lá conseguia puxar para o chão os tesouros escondidos! :)
Claro, a minha mãe quando regressava tinha um ataque de nervos, lá me dava a primeira palmada do dia e eu lá ficava à espera da proxima ida dela ao mercado :)
Lembro-me de vesir os vestidos antigos dela, os rodados, de ir ao colares, às fotos antigas, aos livros de quando o meu pai era pequenino...
e agora que nunca visto um vestido...ate me deu saudade do esvoaçar em frente ao espelho!
Beijinhos
Van
tás sempre a tempo miga...e as ferias correram bem ? beijos
correram bem ....mas aconteceu um problema horrivel e sem solução : FORAM DEMASIADO CURTAS :)
como são sempre :))
gostei desta tua partilha
gostei de ler.te
jocas maradas com sotaque
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