Sexta-feira, Março 17, 2006

Doi-me a alma

Doi-me a alma, sinto-me a pairar num limbo emocional do qual não sei sair, do qual nem sei se quero sair. Sinto vontade de tudo largar e de nada largar, sinto-me capaz de Amar e de desamar, de virar a vida do avesso e de deixá-la como está, acomodado ao comodismo desta vida, mas por outro lado desacomodado desse mesmo comodismo. E os minutos passam, trazem as horas , os dias as semanas, meses e anos. O tic tac não pára e o tempo passa...mas por mais quanto tempo, o tempo vai passar ? Estarei a ficar louco, ou a caminhar para lá ? Ou apenas estarei a esconder-me atrás da minha cobardia ? Sinto-me perdido nesta vivência e só me encontro quando estou no meu canto.... a vida é feita de pequenos nadas, dizia o poeta, mas ja estou a ficar cansado do dia a dia feito à base desses pequenos nadas, falta-me algo mais, preciso de algo mais, mereço algo mais. ( são 22.47, ouço pink floyd e ja fumei bué ). Amanhã é outro dia...

Terça-feira, Março 07, 2006

Do presente....
Os dias passam numa igualdade desesperante, a rotina entranhou-se dentro de mim e ganhou raizes profundas as quais me vão sufocando e lentamente matando a vontade de lutar contra o estado das coisas, de alterar as coisas de tentar ter uma vida feliz. Só me apetece ficar encolhido no meu canto e deixar que o tempo se escoe. Estou a ficar cansado...

Domingo, Março 05, 2006


Ainda sobre as férias nas termas de S.Pedro do Sul, descobri, guardada nos albuns de fotografias que vieram de casa da Mãe, esta foto, minha e do José ( o meu companheiro de folias e aventuras ), sentados no terraço da pensão, no fim de mais um dia em cheio.
Foi nessa pensão, ( nos pequenos almoços ), que descobri o sabor da manteiga pura ( em casa barrava-se o pão com planta ) e senti pela primeira vez na vida, o cheiriinho do café acabado de fazer ( em casa da Mãe, os adultos bebiam uma mistura de cevada, comprada na mercearia do Sr Americo, feita no velho fogão vermelho e coada num coador de pano suspenso num suporte próprio feito de madeira torneada ) vindo o leite da leitaria do Sr. Joaquim ( falarei mais tarde da leitaria do Sr. Joaquim ) nas saudosas garrafas de litro com tampa de aluminio ( como são hoje as tampas das garrafas de 1/4 vigor ).
Curiosamente, em casa do Pai, barravam o pão com manteiga, cortada ás fatias do bloco, e bebia-se uma mistura soluvel de café ( penso que tofina ), sendo o leite entregue, diariamente pelo Sr Serafim, que no seu triciclo ( primeiro a pedais e mais tarde motorizado ), se encarregava de, no bairro, distribuir o leite pelas casas todas ( deixava-se as garrafas vazias á noite na soleira da porta, e de manhã, ia-se buscar as cheias, indo o Serafim ao fim de semana cobrar o leite entregue ).
Destas memórias ficou-me o hábito de cortar a manteiga às fatias, sendo que hoje em dia, sabe-me óptimamente bem tomar um pequeno almoço de pão com manteiga e café .
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